Parece que de uns anos pra cá a moda é lançar Remasters de jogos clássicos. Enquanto alguns são muito bem-vindos, como os que permitem jogar games que normalmente seriam incompatíveis com a maioria dos PCs modernos, outros parecem mais como uma maneira de arrancar dinheiro dos fãs… Mas esse assunto pode ficar para outro dia. Hoje vamos revisitar um clássico moderno: Bioshock.

Considerado uma “continuação espiritual” de outro clássico, System Shock 2, Bioshock trouxe para uma nova geração de gamers uma experiência muito similar e modernizada à de seu antecessor. O jogo se passa em uma cidade no fundo do mar (decisão tomada com a ideia de evocar a mesma sensação de isolamento do System Shock 2 e sua estação espacial), em um cenário que transborda personalidade e que, por mais louca que a ideia de uma cidade submersa seja, (e o jogo não para por aí com ideias loucas!), a ambientação é feita de uma maneira que o jogador acredita que seja possível, e, desse modo, é muito fácil imergir no ambiente do game.

Tudo começa quando o avião onde o personagem principal, se encontra cai no meio do oceano. Assim que volta à superfície, ele se depara com os destroços do avião, mas nenhum sobrevivente à vista. Além dos destroços, mais à frente há convenientemente uma espécie de farol, e é exatamente o único caminho disponível para o jogador nesse momento. Ao chegar ao farol, o próximo passo é entrar em uma espécie de elevador que te leva até o fundo do oceano, onde se passa o jogo inteiro: a cidade de Rapture. Envisionada por Andrew Ryan , com o objetivo de desenvolver uma sociedade livre de restrições impostas, seja por religião ou “parasitas” (aqueles que, segundo ele, se aproveitam daquilo que não produzem, mais especificamente o governo em uma sociedade).

rapture

Apesar de Rapture parecer, à primeira vista, um lugar próspero – tanto pela vista que se tem no trajeto da superfície até à cidade, quanto pela maneira que Andrew a descreve através de uma gravação durante a mesma viagem – basta alguns minutos na cidade para perceber que alguma coisa está errada e não passa muito tempo até o personagem ser atacado e ter que se defender. Os agressores, chamados no game de Splicers, são cidadãos de Rapture corrompidos pelo uso exagerado e contínuo de uma substância chamada Adam.

Essa substância permite a modificação dos genes de uma pessoa, conferindo-a habilidades antes impossíveis, como pirocinese, telecinese e emitir eletricidade através das mãos, entre muitos outros. Essas habilidades se chamam Plasmids e, juntamente com armas mais convencionais (e outras nem tanto), compõem o arsenal disponível ao usuário. A história é contada quase sempre sem tirar o controle das mãos do jogador, o que contribui ainda mais para que se sinta de fato na história.

Esses Plasmids são adquiridos com Adam em “Lojas” espalhadas pelas diversas áreas do jogo. Adam é adquirido principalmente através das Little Sisters, crianças que vagam pela cidade coletando a substância dos corpos de Splicers mortos. Por estarem sempre carregando muito Adam consigo, as Little Sisters são muito visadas e ameaçadas por outros Splicers. Contudo, não é fácil chegar perto delas uma vez que estão sempre acompanhadas por um Big Daddy, que são pessoas em uma roupa gigante de mergulho. Eles são, a princípio, pacíficos, virando-se contra o jogador (ou qualquer um, na verdade) apenas quando as Little Sisters são ameaçadas ou quando são atacados diretamente. Isso permite que o jogador tenha tempo para pensar em uma estratégia para derrotá-los e até esperar que eles se movam para um local melhor para enfrentá-los.

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Uma vez derrotados, o jogador tem duas escolhas: absorver todo o Adam da Little Sister, fazendo com que morram no processo, ou removendo as Lesmas Marinhas (fonte original de Adam) delas e absorvendo menos Adam, mas mantendo as crianças vivas.

O jogador tem um limite de Plasmids que pode usar, podendo aumentar esse número com Adam. Entretanto, é possível trocar quais Plasmids estão “equipados” a qualquer momento em Gene Banks. Isso permite um certo grau de customização, possibilitando diversas estratégias, de mais agressivas, como Plasmids de fogo, gelo e eletricidade, até outras mais passivas, como Plasmids que criam uma espécie de holograma para distrair os inimigos, armadilhas que arremessam para o alto qualquer um que pise nelas, entre outros.

Como o controle é raramente tirado do jogador, a história se desenrola através de conversas por um rádio com certos personagens (encontrado logo no início do game) e através de uma espécie de “diário” de áudio, gravado pelos habitantes, que o jogador encontra por toda a cidade. Além desses métodos mais diretos de fazer a narração, o próprio ambiente do jogo conta histórias, seja por marcas de balas nas paredes, corpos espalhados pela cidade, etc. Este método de contar a história através do cenário não cansa o jogador e ao mesmo tempo o deixa curioso com os acontecimentos da cidade.

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O combate é dinâmico e rápido, com Splicers de vários tipos sendo introduzidos aos poucos para o jogador, e cada um com estratégias e ataques diferentes, encorajando táticas novas e evitando que o game se torne muito repetitivo. O único ponto negativo do combate é o fato de os inimigos que usam armas de fogo praticamente nunca errarem, ou seja, se puxam o gatilho, pode ter certeza que se não tiver nada entre vocês, você vai ser atingido. Isso pode ser irritante (mais por causa de um efeito de “borrão” que cobre toda a tela toda vez que o jogador é atingido), mas ao mesmo tempo encoraja ainda mais que o jogador utilize estratégias diferentes para lidar com esses inimigos.

Combinando uma ótima narrativa, combate variado e belos gráficos, BioShock é um game que merece o status de clássico moderno que possui. Se você nunca jogou, o que está esperando?

Marina Mendes
marinamendesmota@gmail.com

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