Especial | Far Cry

Aaaah, o final dos anos 90… Que época para ser um gamer! Clássicos como Half-Life e System Shock 2 sendo lançados, alguns até se tornando cult.

Mas foi no início dos anos 2000 que recebemos jogos que nos deixariam de queixo caído com seus gráficos. Haviam os tão aguardados Half-Life 2 e Doom 3, mas um “novato” apareceu na mesma época e foi aclamado por seus visuais: Far Cry.

Quando alguém escuta esse nome hoje em dia, automaticamente pensa de Far Cry 3 adiante (que são mecanicamente muito parecidos), mas o progenitor da série é uma criatura totalmente diferente, mais parecido com seu sucessor espiritual, “Crysis”.

O jogo acompanha o protagonista Jack Carver, ex-soldado das Forças Especiais do Exército Americano, que abandonou seu passado para trabalhar como “freelancer” em um barco transportando pessoas. Ele é contratado por uma repórter, chamada Valerie Constantine, para levá-la até uma ilha, com a justificativa de querer estudar antigas ruínas japonesas da época da Segunda Guerra Mundial.

Ao chegarem às proximidades da ilha, Valerie segue por conta própria em um jet ski. Pouco tempo depois, o barco de Jack é atacado e destruído por mercenários que ocuparam o local. Sobrevivendo por pura sorte, Jack acorda em uma velha ruína da ilha e depois de um breve tutorial, o jogador é contatado por um homem chamado Doyle, através de um rádio velho. O homem parece saber o que está acontecendo na ilha e passa a ajudar Jack a sobreviver e a encontrar Valerie.

Saindo dessa área inicial, o jogador se depara com uma das mais bonitas paisagens de qualquer jogo da época: de um lado, florestas tropicais até se perder de vista, e do outro uma linda praia.

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Basta alguns passos para que o jogador perceba que a paisagem é a única coisa que não vai tentar matá-lo. A ilha está cheia de mercenários por todos os lados. Ao entrar em contato com o inimigo, o jogador pode perceber certas informações na interface: vida, colete (que tem mais de uma utilidade), stamina, munição da arma equipada e radar. Até aí nada de muito diferente, mas, com mais uma olhada, é possível notar dois medidores em torno do radar, e ao lado do contador de munição há também um desenho do que parece ser uma pedra. Esses indicadores se tornam o maior aliado do jogador a partir deste ponto: Stealth. Apesar de serpossível concluir várias partes do jogo apenas correndo e atirando como um louco, essa tática não vai te manter vivo por muito tempo. Far Cry é um jogo extremamente difícil, bastam alguns tiros para derrubar o jogador.

Ao entrar em contato com esses primeiros inimigos, nota-se que os indicadores ao lado do radar mostram o quanto de barulho Jack está produzindo e o quanto ele está visível para o inimigo. Para ajudar com toda essa furtividade, o jogador pode lançar pedras no cenário para distrair seus inimigos. Furtividade é essencial para a sobrevivência durante praticamente todo o jogo, porque além do jogador poder ser abatido rapidamente e os inimigos serem bastante inteligentes, o game funciona com checkpoints, ou seja, não é possível salvar a qualquer momento. Para se manter escondido, você pode usar a vegetação da floresta, ficando praticamente invisível em certos tipos de arbustos. A segunda utilidade do colete a prova de balas é ajudar Jack a se camuflar na vegetação, uma vez que, não esperando ser atacado por mercenários, ele começa o jogo vestindo uma camiseta florida vermelha (nada discreta) que o colete ajuda a cobrir.

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Assim que os inimigos têm uma noção de onde Jack está, tentam cercá-lo. E é aí que, para evitar esse tipo de situação, outro item importante que o jogador tem a disposição entra em ação: um par de binóculos. Esses binóculos, além de sua função óbvia, possibilitam que os inimigos fiquem marcados no radar de Jack, indicando para onde estão olhando e o “nível de alerta”, incentivando cautela e reconhecimento da área antes de avançar.

Quando o jogador começa a se familiarizar com as mecânicas do game e passa a se sentir mais confiante, algo inesperado acontece: o jogo introduz um novo inimigo, conhecido como Trigen. Eles são o resultado de modificações genéticas realizadas em primatas e humanos por um cientista da ilha. Estas experiências resultaram em Trigens de dois tipos, basicamente: os pequenos (mas letais, podendo abater o jogador em não mais de três golpes), que atacam pulando grandes distâncias, e os humanóides, que utilizam armas de fogo por reterem um pouco da memória de antes dos experimentos. Eles são o motivo de os mercenários estarem na ilha: proteger o local de “curiosos” e conter qualquer Trigen que escape. 

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Esses inimigos mudam drasticamente a dinâmica do jogo, e apesar de muitos considerarem que a história fique pior a partir do momento que aparecem no game, isso ajuda a não ficar repetitivo e força o jogador a sempre estar adaptando suas táticas. Apesar de não ser um jogo de mundo aberto como Skyrim ou suas próprias sequências, os mapas são enormes, possibilitando várias maneiras de alcançar os objetivos. Em alguns mapas é possível dirigir jipes, barcos e buggies. Contudo, considerando que a melhor estratégia no jogo é ser furtivo, geralmente andar em qualquer um desses veículos é a mesma coisa que colocar um alvo gigante nas costas do personagem.

O jogo possui uma seleção clássica de armas: de uma pistola até uma bazuca. Contudo, assim como praticamente todos os jogos que vieram depois do primeiro Halo, o personagem só pode carregar ao mesmo tempo quatro das armas que o jogo oferece. 

Apesar de ter sido lançado próximo a gigantes como Half-Life 2 e Doom 3, o primeiro Far Cry conseguiu se destacar o suficiente para gerar spin-offs no primeiro Xbox e servir de inspiração ao projeto seguinte da desenvolvedora Crytek: Crysis, que é uma história para outro dia…

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