No início dos anos 2000 vivíamos num mundo onde as empresas de games ainda não tentavam transformar tudo em Call of Duty (se acha essa afirmação exagerada, compare séries táticas como Rainbow Six e Ghost Recon antes e depois de Modern Warfare…) e tínhamos games muito mais variados e que tentavam coisas diferentes.

Em meio a essa época foi lançado em 2005 a continuação da série SWAT, que como o próprio nome indica, é baseado no grupo especial da polícia americana de mesmo nome. A SWAT tem como objetivo resolver situações de alto risco consideradas além da capacidade da polícia “tradicional”. Mas resolvê-las de maneira pacífica de preferência, sempre realizando negociações com os suspeitos primeiro.

Mas quando as negociações falham, ou quando fica claro que reféns, por exemplo, estão em grande risco de vida, as tropas entram em ação. E apesar de as negociações serem interessantes, não são um bom material para um game né? Por isso todas as missões em SWAT 4 se passam pós negociações.

Apesar de as negociações não terem dado certo a princípio – e é aqui que SWAT 4 se diferencia da maioria dos FPS – o foco do game é tentar resolver as situações da maneira menos sangrenta possível. Ou seja, apesar de algumas vezes ser muito difícil eliminar os inimigos sem matá-los, quanto menor for o número de baixas, melhor será seu desempenho no jogo. E inclusive, nas dificuldades mais altas, você simplesmente não avança na campanha se não atingir uma pontuação mínima.

Como policial, o seu objetivo é sempre tentar minimizar o máximo banhos de sangue.

Mas não pense que atirar nos suspeitos é algo que o jogo penaliza 100% do tempo, assim como na vida real, no game existem as chamadas Rules of Engagement (Regras de Engajamento) que indicam quando é permitido usar força letal ou não. Por exemplo: se um suspeito apontar uma arma para algum refém, você tem autorização para atirar, o mesmo se apontar para você, e pior ainda se atirar contra você ou outro membro da sua equipe. Se ele apenas correr, atirar em suas costas seria uso não autorizado de força.

Há maneiras mais seguras de lidar com os suspeitos de frente sem arriscar ninguém sair gravemente ferido, como escopetas que atiram projéteis não perfurantes, tasers, e até mesmo armas de paintball com munição de gás de pimenta (no caso dessa última opção, não se esqueça de dar à sua equipe máscaras de gás, senão você terá a hilária cena onde estarão suspeitos e membros da SWAT todos tossindo, espirrando  e xingando sem enxergar nada).

“Ah mas você vai se render SIM!”

Você como líder do esquadrão controla duas equipes, a Azul e a Vermelha. Você tem total liberdade de como equipá-los:, de armas maiores como rifles e escopetas; armas secundárias como pistolas ou tasers; outros equipamentos como granadas de flash, gás, etc; bloqueadores de portas (wedgers) e até uma espécie de arma que ao invés de fazer disparos, tem uma câmera na ponta que pode ser usada para olhar debaixo de portas e em cantos.

É possível dar ordens para cada equipe individualmente ou em conjunto. Basta mirar em algum lugar e as opções de interação das equipes com o alvo aparecem com um clique do mouse. Desde invadir salas de diversas maneiras (jogando certas granadas antes de entrar), arrombar portas com explosivos ou escopetas especializadas para tal, destrancar portas, prendê-las com um wedgers, olhar por debaixo com a câmera, entre outras opções.

Escolhas, escolhas…

A campanha é dividida em missões que não necessariamente seguem uma história principal, mas cada uma tem a sua, contando com informações sobre os suspeitos (quando se tem essa informação), reféns, e até mapas que variam de plantas dos locais até rascunhos em guardanapos de um refém que conseguiu escapar por exemplo.

O interessante de cada missão é que os inimigos e reféns sempre têm suas posições iniciais decididas aleatoriamente toda vez que se inicia uma missão. Então caso você falhe (e você vai algumas, o game pode ser bem difícil às vezes), ao reiniciar a missão, algumas táticas que antes funcionaram talvez não funcionem mais e vice-versa. Isso incentiva um grande nível de adaptação por parte do jogador que é viciante ao mesmo tempo que é tenso, pois você nunca sabe exatamente o que esperar atrás de cada porta mesmo já tendo jogado a missão.

Às vezes eles não se rendem de jeito nenhum…

Não é possível salvar no meio das missões, mas não se preocupe pois elas não tendem a ser absurdamente longas, e ao invés de simplesmente ser frustrante, isso força o jogador a não correr e pensar em cada ação que vai tomar, tornando a experiência mais interessante (e intensa).

E comentei que todas as missões podem ser jogadas cooperativamente pela Internet ou LAN? Sem falar em outros modos VS.

Com o mercado saturado de FPSs que muitas vezes tem praticamente a mesma jogabilidade, bate aquela vontade de algo diferente, uma abordagem diferente de um mesmo gênero, e na falta de uma versão moderna desse estilo, nada como um bom e velho clássico!

Marina Mendes
marinamendesmota@gmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *